domingo, 8 de março de 2015

Canto Sétimo. Bons-dias. Acordei como Acordam os tolos... ( Ione França) Nas Livrarias ou em www.castordepapel.pt


Acordei como acordam os tolos, cheia de felicidades.
(c)Ione França


Canto Sétimo
Bons-dias


Bom-dia, Desejo.
Boa-noite, Sossego.

E assim são os meus dias. Perdida dentro de uma ideia ou de um suspiro. Possíveis suspiros.

Felicidade ou nostalgia? ...
(pág. 32)

www.castordepapel.pt


sexta-feira, 6 de março de 2015

Mário Moura no Jornal de Letras

"As histórias de um contador" - um artigo de Agripina Carriço Vieira


Mário Moura no Jornal de Letras - "As histórias de um contador", um artigo de Agripina Carriço Vieira.

É com muito gosto e entusiasmo que partilhamos com os nossos leitores este artigo, a cujas palavras não poderíamos ficar indiferentes, pela sensibilidade com que captam a essência dos livros O Contador de Estórias e O Escultor de Almas, do nosso estimado autor DeMoura.

"A expressão do amor nas suas múltiplas e por vezes conflituais dimensões é o tema central dos dois livros publicados quase em simultâneo pelo escritor  DeMoura, uma colectânea de contos e um romance."

(...)
"A história da relação entre Filipe e Érica, feita de paixão mas igualmente de desilusões, falsas esperanças, ressentimentos e desejos de vingança, é interrompida para dar lugar a um texto que Érica encontra por acaso. Nele, Filipe apresenta a sua versão da história, num discurso intimista e emotivo."

(...)
" Esta é a história de dois jovens que decidem levar a velha tia numa viagem que muito deseja realizar, mas durante a qual fenece. (...) As peripécias sucedem-se adensando o enredo para deleite dos leitores."


(...)
"Quer O Escultor de Almas, quer O Contador de Estórias encenam, em livros que se lêem num fôlego, o poder das emoções e dos sentimentos(...)."


Encontre O Escultor de Almas e O Contador de Estórias no nosso site www.castordepapel.pt





sábado, 28 de fevereiro de 2015

25. DA VÃ GLÓRIA - mariommoura.blogspot.com

25. DA VÃ GLÓRIA

25.   DA VÃ GLÓRIA
  Quando Manuel Laureano Rodríguez Sánchez, naquela tarde quente de 29 de agosto de 1947, estava em seu camarim a vestir o seu flamejante traje de toureiro, ficou algum tempo a olhar-se ao espelho, a apreciar o seu rosto magro, austero, os traços quase esculpidos, o seu cabelo muito preto e uns olhos da mesma cor e vivos. Contudo, estava muito longe de adivinhar como um touro, um belo miúra, Isleno de nome, como tantos que matara fulminante e implacavelmente, o enfrentaria na praça de touros de Linhares, em Espanha.
  Ao pisar a arena, como Manolete, o maior toureiro de todos os tempos até então, e segundo os aficionados até aos nossos dias, foi como sempre vibrantemente aclamado de pé pela assistência. A faena com o seu segundo touro foi como habitualmente brilhante e impecável, Manolete obrigando o touro a passar rente a ele, antes de marrar o pano vermelho, sem ele se mover um centímetro, sem sequer olhar o resfolgante animal de setecentos quilos, para aflição da plateia.
  Quando o toureiro parte para a estocada final para matar Isleno, atrasa-se alguns segundos do habitual, o touro afunda um dos cornos na veia femoral de Manolete, provocando-lhe uma abundante hemorragia que o mata  mais tarde.
 Tinha então apenas trinta anos e deixou saudades das faenas espetaculares que protagonizou durante mais de uma década nas praças de touros de Espanha, Venezuela e México. A comoção em toda a Espanha e América do Sul, e no mundo, foi imensa. Franco declara três dias de luto nacional, durante semanas os espanhóis, e não só, não falam de outro assunto recitando minuto a minuto a última faena do ídolo.
Em Portugal foi também uma choradeira geral. Clamavam: “Morte injusta!”, “Que perda irrecuperável para a tauromaquia!”, “Que tragédia a sua morte, tão novo e tão magnífico na arena!”, “Morreu o melhor toureiro de todos os tempos. Não haverá igual!”, “Que pena, morrer quando era o mais notável toureiro!”, “Era muito novo para morrer, ainda tinha muito para nos alegrar!”, etc. e tal. É foto de capa das principais revistas e os jornais dedicam grossas manchetes nas primeiras páginas.
  Eu era jovem e escrevia para algumas revistas, como a Horizonte e a Seara Nova, e para o jornal de esquerdaRepública. Numa delas, já não me lembro qual, publiquei um artigo em que dizia que o notável toureiro morrera no local certo (a arena) e também na hora certa (no auge da sua carreira),  portanto  e indiscutivelmente fora a morte adequada.  Quase fui linchado pelos numerosos fãs de Manolete. Eu escrevera que uma estrela como ele não se pode apagar aos poucos, tem que explodir, desaparecer num ápice. Só assim será mártir e herói, chorado coletivamente, e perdurará na memória popular. Uma estrela de tal fulgor não pode esgueirar-se secretamente da sua constelação, apagar-se, ficar velho e ter uma velhice triste e amarga.
Entre parêntesis. Se conseguirem o DVD não deixem de ver Manolete –Sangue e Paixão, com Adrian Brody como Manolete e Penépole Cruz, como Lupe, a linda mulher da sua vida.
A propósito, lembro-me, quando há muitos anos vivia em São Paulo, de ir às vezes com os meus amigos a um restaurante ‘mexicano’, cuja comida era ótima. O dono teria sido toureiro e as paredes do salão estavam literalmente forradas de fotografias dele em faenas ou aparamentado à toureiro. Recordo ainda de uma impressionante com uma orelha de touro na mão… gotejando sangue. E como não bastasse, ele vinha até à nossa mesa a vangloriar-se desses seus êxitos passados, teriam sido ou não, e eu olhava para aquele gordo derrotado, barrigudo, com o cinto abaixo do umbigo, a camisa e a roupa tão amarfanhadas, uma figura tão distinta dos exuberantes trajes de ‘matador’, que me dava vontade de rir. Ao mesmo tempo, tinha muita pena dele a exibir com tanto orgulho o seu passado em fotos ruins e cagadas pelas moscas.

  Porque é que James Dean, apenas com três filmes, ficou nos anais do cinema como um ator fantástico, que realmente foi, mas não muito mais do que outros seus companheiros, também muito bons, que desapareceram da história do cinema. Talvez por ter morrido ao volante de um carro, como num dos seus filmes, com apenas 24 anos e no próprio ano desses seus filmes (A Leste do Paraíso, Fúria de Viver e Gigante). Porque é que Marylin Monroe é tão popular hoje como em vida, quando O Pecado Mora ao Lado era sucesso mundial. Possivelmente por estar no auge da sua carreira aos 36 anos e ter-se suicidado de forma dramática e um pouco misteriosa.
 Ainda no cinema, não assistimos tão recentemente ao anúncio da morte por suicídio de Philip Seymour Hoffman e logo ao justo reconhecimento do seu mérito? Na música poderia citar Elvis Presley e Charles Parker (Bird), com 37 anos, sem esquecer Bob Maley e tantos, tantos outros. E na política portuguesa, Sá Carneiro? E até, antecipadamente, o anúncio que Jon Stewart se vai retirar da televisão no pico do  êxito do seu Daily Show, que manteve por dezasseis anos,  com o segmento de humor político ‘International Moments of Zen’?
  Também recordo de um outro facto. O trânsito em São Paulo é muito ruim, como é sabido, mas ainda por cima os carros são largados em qualquer lugar, passeios, em frente de portas de garagens, bloqueando outros, um inferno. Até que um dia apareceu um ‘Salvador da Pátria’: um Diretor do Departamento de Trânsito, um tal Tenente Estrela, que declarou guerra aberta aos motoristas desrespeitadores dos bons costumes. Era presença constante nos telejornais ou em vibrantes entrevistas e comunicados, ou mesmo à frente das câmaras de televisão com uma sua equipa a rebocar carros a torto e a direito, a bloquear as rodas, até a esvaziar os pneus. Um prato cheio para os noticiários em geral, e o povinho adorava. Óbvio, não tanto quanto os motorizados. Até que numa entrevista à TV, das muitas que dava, de pé, exaltado, vociferando, não deu outra, tombou com um AVC e morreu frente às câmaras. Para muitos era um herói, passou a super-herói.
 Continuei assim a defender sempre a tese de que é no auge que o artista, o ator, o trapezista, o boxeur, o escritor, o bailarino, o músico, porque não o político e o locutor ou âncora, se devem retirar, sem necessariamente emigrar para a chamada ‘outra vida’. Se bem que, tendo a sorte (?) de ser de forma dramática, fica mais garantida a saudade perene.

  Há dias quando falei a uma amiga que tinha criado uma nova editora, ela disse-me: “Oh! Mário, está errado, já provou que é bom editor várias vezes, para quê, com a sua idade, voltar a trabalhar?”
  É facto que vendi a Editora Pergaminho há sete anos, uma editora que, na época, mais do que uma editorial era uma marca respeitada e de sucesso, e que vendi muito bem. Era a altura de me retirar. Mas parei? Não, meses depois criei a Vogais & Companhia, com o sucesso explosivo e prolongado de O Diário de um Banana,  que vendi um ano depois em boas condições, há cinco anos. Fui turista ativo durante três anos, no ano seguinte escrevi dois romances e dois livros de contos. Depois das férias do ano passado iniciei a ‘4Estações-Editora’ e a sua chancela editorial ‘O Castor de Papel’. Ao celebrar noventa anos. Qual a razão? Qual a lógica?
  Deveria ter-me retirado quando? Quando vendi a ‘Vogais’, a ’Pergaminho’ ou alguma das brasileiras, talvez a  ‘Fundo de Cultura’, ainda tão celebrada?
  Quero crer que voltei por duas boas razões: Primeiro, pela minha paixão pela leitura e pelos livros, desde muito novo, a partir dos meus oitos anos. Mas para acalmar essa paixão, dirão, não bastaria ir de quando em quando a uma boa livraria? Sim, é certo, isto é, seria se não houvesse uma segunda razão: do que eu gosto mesmo é de ‘criar’, sim, isso mesmo, criar,  no sentido amplo da palavra. E asseguro-lhes, nada como editarmos um livro para sentir a força do criar. Verdade é que já criei muitos jardins, dos mais variados tamanhos e usando as mais variadas plantas, o que sempre me deu muita satisfação. Já construí talvez duas dúzias de casas de campo, muito diferentes umas das outras, o que também foi um excelente exercício do criar. Assim como a partir da terra rasa criei três urbanizações.
 Nem quero falar de minhas experiências juvenis: a produção de bijuteria em madeira, um fracasso, mas mais tarde vi, com alegria, semelhantes em  vitrines parisienses; e uma pequena fábrica de perfumes, o de nome ‘55’ teve razoável sucesso, quase que ainda recordo o seu aroma (pesquei as fórmulas num livro de química, alemão, em tradução espanhola).

  Ao completar noventa anos, na festa com os meus numerosos familiares, disse umas palavrinhas que se enquadram muito bem, acho, no meu percurso de vida. Lembrei-lhes que subir a pé pela encosta de uma montanha, como tantas vezes fiz, não é um desafio fácil. As botas escorregam nas folhas apodrecidas e no limo, as pedrinhas atrapalham, tanto como troncos  quebrados e plantas espinhosas e atrevidas. As trilhas por vezes são interrompidas por rochas grandes e nem percebemos a razão, já que continuam adiante, mas é uma incerteza angustiante procurar a continuação. A respiração fica ofegante à medida que subimos e a mochila parece ter ficado mais pesada, mas temos que ficar atentos ao caminho que percorremos. Com frequência enganamo-nos e entramos  em veredas erradas, e por vezes temos dificuldades em encontrar a senda certa. Caímos, esfolamos as mãos e os joelhos, mas é preciso continuar, queremos continuar a subir, desejamos alcançar o alto da montanha, a nossa meta.
  Finalmente conseguimos pisar no cume, sentamos numa rocha, a respiração normaliza e a paisagem de que desfrutamos alegra-nos. Experimentamos uma sensação de vitória e de conquista, e serenamos. Lá em baixo, no vale, estão os que não subiram e cumprem o seu dia-a-dia. Algumas casas fumegam, as crianças a sair da escola são apenas pontos brancos das suas camisas. Dos animais a pastar ouvimos os bramidos, como música de fundo. Sentados e tranquilos, a sensação é tão boa que quase esquecemos que teremos que descer e que a descida é também difícil, pouco menos do que a subida. Mas temos que voltar para, também, irmos à nossa vidinha.
  Contudo, um bom montanhista, enquanto descansa no alto de uma montanha, além de olhar para o vale, mira ao seu arredor a admirar os cumes das outras montanhas em volta, algumas mais altas e certamente de escaladas mais difíceis. Então esquece as dificuldades da subida que acabou de vencer e prepara-se, mentalmente, para subir a que mais o desafia.
  Há sessenta anos que o meu trabalho é editar e dele tenho vivido, basicamente. Criei mais de uma dezena de editoras, felizmente com o sucesso suficiente para serem respeitadas pelos leitores, que é realmente o que me interessa, pois que só daí virão os resultados. Mas como o montanhista que de um alto de uma montanha ambiciona e propõe-se a subir outras, não ignorando nem temendo as dificuldades, decidi voltar a editar. Criei assim a ‘4Estações-Editora’  e a sua chancela editorial ‘O Castor de Papel’. Será difícil, eu sei, talvez esfole os joelhos ou erre a trilha, mas quero continuar. Hoje com mais razão, pois tenho uma companheira fiel e forte para me ajudar nesta escalada, a Ione França, a qual nos últimos vinte anos a mim se tem amparado e eu, com amor, a ela.
  Talvez seja isto que deva responder à minha amiga. Ela compreenderá, creio.

                                                   * * *

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

O blog Faces de Marisa destaca os nossos livros!

O blog Faces de Maria destaca os livros "Louco por Viver", o "Escultor de Almas" e "Acordei como Acordam os Tolos, Cheia de Felicidades"

O início de uma parceria entusiasmante!


Todos os dias O Castor de Papel continua a fazer novas amizades e isso é sempre um motivo de celebração, que não podíamos deixar de partilhar convosco!

No blog Faces de Marisa, a nossa mais recente parceria, Marisa Luna destaca os livros "Louco Por Viver", "O Escultor de Almas" e "Acordei Como Acordam os Tolos, Cheia de Felicidades", edições do Castor de Papel e da 4Estações-Editora! 


Filipe, protagonista desta novela, afirma que o amor resulta de uma química de atração, como os elementos que se atraem ou se repelem. Será? Uma vez desaparecido, pode realmente o amor renascer e voltar à intensidade anterior? Até que ponto os homens conseguem entender e viver a gravidez das suas mulheres? 
Para Érica, a outra protagonista, mais do que um mero fenómeno fisiológico, a gravidez é um maravilhoso milagre. Será que é o que sentem em geral as mulheres? E a interrupção da gravidez? Como é aceite pela mulher? E pelo homem? E o que pode representar para o futuro do casal? Consegue uma jovem transformar-se profundamente graças a uma relação de amor? Ou isso só acontece na ficção? Esta novela levanta no seu decurso estas perguntas e tenta dar respostas.

Título: O Escultor de Almas
Autor: DeMoura
Género: Romance
Preço: 15,90€






Neste novo livro, Ione França apresenta uma coletânea de textos, que intitula de Cantos, reflexões sobre o seu quotidiano, em prosa poética. Poesia madura e de grande sensibilidade e espirito crítico que por vezes nos desafia. Magicamente, a autora envolve as palavras com mantos diversos, seja o da fantasia ou o da crueldade, o da angústia ou da ternura, o da dor ou da alegria, o da revolta ou da compreensão. Cada palavra é como a peça de um puzzle que a poetisa ensaia armar para construir um quadro que revela a sua inquietude pela mesquinhez e crueldade da alma humana, mas também o seu conhecimento e aceitação da beleza e das surpresas do mundo em que vivemos

Título: Acordei como acordam os Tolos, Cheia de Felicidades
Autora: Ione França
Género: Prosa Poética
Preço: 12,72€



No seu novo livro, Roberto Shiyashiki não promete nada; só toda a felicidade do mundo. Isso mesmo, leu bem. De alguma forma, a nossa loucura e a nossa paixão podem ter-se perdido, mas uma vida prazerosa e cheia de energia e desejo. Aqui, o leitor é convidado a realizar o impossível. Aquele projeto que sempre viveu guardado no coração, o emprego que vale a pena e valorizar os seus talentos, o relacionamento capaz de o fazer andas nas nuvens. Entenda como tudo isso está à espera do seu primeiro passo e deixe o autor mostrar-lhe como dar esse salto. A vida não é uma, a vida é muitas; e a sua está prestes a reinventar-se.

Título: Louco por Viver
Autor: Roberto Shinyashiki
Género: Desenvolvimento Pessoal
Preço: 14,84€


Leia aqui o artigo completo da autoria de Marisa Luna, no blog FACES DE MARISA

Deixe-se levar pela curiosidade, visite-nos em www.castordepapel.pt ou no nosso blog www.castordepapel.blogspot.pt e saiba mais sobre os nossos livros. Fique a conhecer-nos melhor!
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terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Vida Organizada, de Thais Godinho - Um artigo de Blonde and Heels

Mais uma excelente apreciação do livro Vida Organizada de Thais Godinho, uma edição de O Castor de Papel
Saiba tudo num artigo cativante, da autoria de Adriana Gonçalves em Blonde and Heels - 
"É um livro que se lê muito bem e que nos faz refletir sobre aquilo que queremos, desejamos e como vamos organizar essas metas para as conseguirmos atingir com eficácia."

Se ainda não leu, não espere mais, queremos saber a sua opinião!
Vida Organizada, de Thais Godinho, nas livrarias ou em www.castordepapel.pt

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015


Acordei como acordam os tolos, cheia de felicidades.

Palavra Sorriso

Imagina, há uma hora atrás , encontrei uma flor,
perdida dentro de uma palavra.
E a palavra era sorriso.
E esta palavra dava cor,

forma e substância ao teu olhar. Sim, eu sei que o teu olhar sempre é de dias futuros, e de promessas bem-vindas.
Assim, sei a falta que me faz um pouco de esperança.
Esperança nos pequenos gestos, e em todos os nossos incertos despertares. Que acordar não é uma garantia...E se não acordo? O que fazes? Se não entro de rompante na tua manhã, mal amanhecida? Mas felizmente sempre acordo, como quem abre uma porta e sai para a rua, desta casa de sonhos...( pág. 24)
Ione França
Uma edição da 4Estações-Editora
Nas Livrarias ( PVP 12,72€) ou www.castordepapel.pt

domingo, 22 de fevereiro de 2015

Mário de Moura (DeMOURA) O RAPTO DA EUROPA, NÃO POR ZEUS. mariommoura.blogspot.com

 24. O RAPTO DA EUROPA, NÃO POR ZEUS
  O dia de ontem, 20 de fevereiro, foi um dia que ficará para a história como o dia de luto para a Europa, o dia de Finados para a União Europeia, o dia do réprobo geral à Alemanha e o dia da vergonha para Portugal.
   O dia de luto para a Europa, porque o presidente do Eurogrupo (o Sr. Jeroen Dijsselbloem), num momento crucial para esta instituição, se acobardou perante Berlim.
   O dia de Finados para a União Europeia, porque o Presidente da Comissão Europeia (Jean-Claude Juncker), um experimentado político, retrocedeu o seu apoio à causa grega e foi incapaz de impor a sua manifesta vontade a favor da antiausteridade na Europa.
  O dia do réprobo à Alemanha, porque o seu Ministro das Finanças (Wolfgang Schäuble) e a sua acólita (Angela Merkel) conseguiram travar um processo de repúdio aos nefastos programas de austeridade impostos a alguns países europeus, através do qual os gregos pediam apoio para programas mais sensatos e humanos.
  O dia da vergonha de Portugal, pela subjugação canina do seu incompetente Primeiro-Ministro (Coelho) ao lamber as botas do diabólico  ministro alemão.
  Como a maioria dos europeus, admirei a coragem e o destemor de Alexis Tsipras e Yanis Varoufakis ao tentarem a saída da Grécia do programa dito de assistência, que na realidade é de agiotagem do capital internacional, não se negando a pagar a dívida do país, mas sim a equacionar a sua amortização para abrandar o sufoco e a miséria a que foi lançado uma boa parte do povo grego, e não só  some-se Itália, Espanha, Portugal, Chipre etc.
  O certo é que a Alemanha que saiu destruída da 2ª Grande Guerra, provocada por ela, que no pós-guerra recebeu um colossal auxílio financeiro dos E.U. e de outros países europeus, tendo depois essa dívida perdoada, incrivelmente, hoje domina totalmente a dita União Europeia, económica e politicamente. Há alguma razão? Tem algum cabimento? E faz sentido que menospreze claramente os países europeus do Sul, a que chama de preguiçosos e gastadores? Quando a Itália, a França, a Grécia, a Espanha eram vigorosas culturas, que deram coesão e prestígio à Europa, a Alemanha era um país de bárbaros.
  O belo sonho da Europa unida, tão bem idealizado, está a ser torpedeado sem escrúpulos ou hesitações por quem dele devia melhor cuidar. Não estará na altura destes indesejáveis países do Sul saírem em conjunto da União Europeia e formarem a União Europeia do Sul, com a sua moeda e economia próprias? Sem o peso burocrático e dispendioso de Bruxelas. Dessa forma a importação de produtos alemães e de outros países do Norte da Europa seriam tributados, dando melhores oportunidades aos dos seus próprios países. A Europa do Sul não precisa dos carros, das cervejas e dos alfinetes alemães.
  E já não estaria na hora dos povos ‘gastadores’ do Sul começarem a boicotar os produtos alemães? Não haverá alguém que encabece esse movimento desde já?
Num século a Alemanha provocou três sangrentas guerras, e perdeu-as. Mas deixou sempre muita miséria, mortes e destruição. Atualmente está de novo a provocar miséria, mortes e destruição. Como não considerar os bairros miseráveis onde se amontoam milhões de habitantes destes países do Sul da Europa como novos campos de concentração, onde inocentes morrem de fome, de frio e de doenças, sem terem culpas, e apenas para que os capitalistas alemães enriqueçam? Que devemos à Alemanha? O Requiem de Mozart para acompanhar os nossos mortos?
  Ao que parece a cruz suástica esconde-se agora no símbolo do euro.
 Estamos agora à mercê do despeito, da crueldade e do cinismo do prepotente senhor Schäuble, como há décadas estivemos de um outro louco de bigodinho de triste memória. Não estará agora na hora de rever O Grande Ditador, de Chaplin?
 Como é possível que um ministro Alemão se atreva a ladrar que o povo grego não deveria ter eleito Tsipras? Que audácia e que desrespeito pelos outros povos! E como se não bastasse, depois da reunião de ontem, em que teimosa e cruelmente impediu que os outros países analisassem com atenção e democraticamente a proposta grega, ainda teve o atrevimento de dizer: “E agora o que é que o Sr. Tsipras vai dizer ao povo grego?”
  Como é possível que mais de duas dúzias de chefes de Estado europeus ‘soberanos’ fiquem calados perante estas incríveis afirmações?
  Não quero aqui e agora falar do Presidente da República de Portugal e das suas habituais gafes políticas, que bem contribuem para a nossa vergonha. Esperemos pacientemente que ele volte para o seu Algarve.
  Mas não posso deixar de falar da insensatez do Primeiro-Ministro (evitei dizer nosso), que não percebe que o ‘caso’ grego pode fazer toda a diferença, para melhor ou para pior, para a crise portuguesa. Penso que possivelmente ele não ganhará as próximas eleições (acredito nos portugueses), mas o que me pergunto é o que  acontecerá a ele posteriormente? Será julgado em Tribunal Criminal por tantas mortes e destruição que causou, ou simplesmente irá roçar as suas calças em Bruxelas ou numa grande empresa?
  Já disse que, para Portugal, 20 de fevereiro é o dia da vergonha pelo comportamento servil de Coelho à dupla alemã, mas não só. Mais caricato ainda, é a Ministra das Finanças de Portugal prestar-se ao papel de panfletária a favor da austeridade apresentando o país como um exemplo de sucesso do programa da troika, um desrespeito aos muitos milhares que aqui estão na miséria e desempregados, para agradar aos alemães.
  Não sei se se lembram de Fritz Lang no início da sua carreira de cineasta nos estúdios da UFA, no seu país, a Alemanha (Dr. Mabude e M de Matar)? Nos seus filmes dessa época apareciam umas figuras disformes e pérfidas que aterrorizavam as plateias. Depois ele foi para os Estados Unidos onde dirigiu belíssimos filmes, entre eles o corajoso Os Carrascos também Morrem (sobre o assassinato de crianças pelos nazis, estando estes ainda no poder,1943).  Parece que Lang deixou à solta, no seu país natal, descendentes desses monstrinhos.
  Não, não, a mítica Europa não foi raptada por Zeus, mas por Schäuble e Merkel!